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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Filme: As montanhas da Lua

 

Este filme utilizei em sala de aula e realizei uma atividade para a faculdade e creio ser uma importante referência e recurso didático para a compreensão da História da África. Eis o resumo do filme, então!

Introdução

O filme “As Montanhas da Lua”, do cineasta Bob Rafelson, é uma obra que retrata a expedição de Sir Richard F. Burton e John H. Speke em busca das nascentes do Rio Nilo. Apesar de, em primeira instância, parecer que apenas trata-se de uma aventura banal, o filme retrata como pano de fundo as relações da colonização européia em contraponto à cultura africana, assim como muitas questões essenciais no estudo da História da África.

É um filme em que instiga de maneira bastante eficiente ao conhecimento ainda maior acerca das motivações de ambos os lados – africanos e europeus. Além disso, pode-se vincular ao tema escravidão na África – anterior à colonização européia – fator desconhecido a maioria das pessoas. Permite, assim, uma visão abrangente da colonização, da exploração, da ciência no século 19, bem como, um panorama bastante rico do continente africano. clip_image002

Resumo do Filme “As Montanhas da Lua”

Título Original :Mountains of the Moon, EUA, 1990

Gênero: Aventura

Duração: 136 min.

Distribuidora(s): Tel Vídeo/20.20 Vision

Produtora(s): Carolco Pictures, IndieProd Company Productions, Zephyr Films Ltd

O filme “As Montanhas da Lua” trata da história real das expedições empreendidas em conjunto entre Richard Francis Burton (Patrick Bergen) e John Hanning Speke (Ian Glen) em busca de mapear e encontrar a nascente do Rio Nilo, em meados do século 19. Seu roteiro baseado nos livros de Richard Burton e adaptados por William Harris e roterizados por Bob Rafelson, o próprio diretor do filme. O título refere-se a maneira como os nativos chamavam a nascente – Montanhas da Lua.

Speke, retratado na obra como um jovem nobre - inseguro e arrogante – une-se na África à expedição de Burton, um cientista e estudioso experiente. Logo ao início, denota-se o caráter e personalidade de ambos, quando a procura de Burton, Speke inadvertidamente invade uma Mesquita no momento das orações, as quais o primeiro participava.

Na primeira expedição, são tomados pelo revés de um ataque nativo em que, Speke é tomado como prisioneiro, evadindo-se ferido e Burton tem seu rosto transpassado lateralmente por uma lança. Apesar da relativa gravidade dos ferimentos de ambos, conseguem, porém, escapar e retornar à Inglaterra.

Conseguem um financiamento da parte da Sociedade Geográfica e assim, subsídios para uma nova expedição, certos de que possuem a capacidade de encontrarem a nascente. Seguem para nova empreita e contratando nativos africanos como membros de sua caravana, partem em sua campanha. Esta parte está evidenciado claramente o trabalho dos africanos que, seguindo a expedição como carregadores, intérpretes e outros, unem-se aos europeus como seus empregados. A despeito de tal, a fidelidade de tais contratados não estava garantida, sendo que muitos acabam por fugirem, roubando os pertences e suprimentos da expedição. Obrigando, assim, que se empenhassem em conseguir seu suprimento através da caça, da qual Speke encarrega-se. Outro fator relevante é Speke ser um representante da nobreza e, assim, a caça entre estes é um esporte grandemente praticado na época.

A amizade entre Burton e Speke vai gradativamente se estabelecendo na medida em que as dificuldades surgem e estes, auxiliam-se mutuamente. Um dos exemplos mais marcantes está no momento em que Burton, tentando auxiliar um escravo fugido à mercê dos leões (Mabruki), afugenta as fêmeas aos gritos e atirando-lhes pedras, no entanto, não percebe a aproximação de um leão macho pelas suas costas, que é abatido prontamente com um tiro por Speke. Nota-se claramente a diferença de temperamento entre ambos neste evento: Burton afugentou as leoas, enquanto Speke matou ao leão. Ainda, pode-se ressaltar que o escravo Mabruki não era pertencente a nenhum europeu e sim, cativo de outros africanos.

Os empecilhos são inúmeros – falta de comida, de água, doenças, além das ora difíceis ora prazeirosas relações entre os nativos com que se deparam em meio à jornada. Percebe-se que apesar dos conhecimentos de Burton – que já conhecia anteriormente a África – e do auxílio dos africanos contratados, existe a imprevisibilidade quanto ao tratamento com os nativos. Speke, por outro lado, assombra-se com a forma que Burton trata aos povos encontrados, não colocando-se da maneira superior esperada.

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Burton tem suas pernas seriamente afetadas pelo esforço excessivo, o que o obriga a uma parada inconveniente. É auxiliado pela experiência de Mabruki, que por ter sido salvo pelo europeu, sente-se um servo deste. Suas pernas são, assim, “sangradas”, mas ainda mantém-se gravemente enfermo, o que o obriga a seguir conduzido em uma liteira.

Descobrem o Lago Tanganica em conjunto, sendo assolados pela malária e outros males, perdendo boa parte de sua caravana vitimados estas doenças. E apesar da empolgação inicial, concluem que ainda não chegaram a esperada nascente e seguem a viagem adiante.

Para o desalento ainda maior deparam-se com o domínio do Rei N’Gola e são capturados. Exige-se que se apresentem ao rei com trajes “magníficos”. Assim, devidamente vestidos, oferecem presentes a N’Gola, sob a alegação de que são “reis” igualmente. Entre estes regalos: uma lente de aumento, uma luneta e um revólver que claramente são objetos desconhecidos pelos nativos. O rei africano dispara a arma contra seus súditos, espantado com o efeito produzido – a morte de um deles. E todos os membros da expedição são mantidos como reféns, apesar da oferta, sendo que o conselheiro do rei incita que sejam feitos escravos. Sabe-se neste ponto que Mabruki era um escravo deste povo, voltando sob humilhações novamente a esta posição.

Cedendo favores sexuais à irmã do Rei N’Gola, Speke obtém a sua liberdade e Burton pede que esta siga adiante em busca da nascente. O último também permanece enfermo, o que lhe impede de avançar. Assim, Speke liderando uma pequena caravana, parte em busca do objetivo final de ambos.

Mabruki é ameaçado e torturado diante dos olhos do agora fatigado e incrédulo Burton que, afim de abreviar-lhe o sofrimento, sufoca-o com suas próprias mãos perante o rei e seu conselheiro. O conselheiro instiga ao rei N’Gola para que faça de Burton um escravo, já que sua preocupação excessiva com um escravo, denuncia que não é um rei de fato. O rei, dominado pela atitude de Burton, usa o revólver para matar seu próprio conselheiro e concede-lhe a liberdade.

Speke retorna trazendo a notícia de que encontrou a um lago que nomeará de Vitória, em homenagem à rainha da Inglaterra e afirma que esta é a nascente do Rio Nilo. Burton refuta a teoria, já que Speke, em verdade não contornou o lago ou fez outras medições que comprovassem a descoberta e a respaldassem.

Somente Speke regressa à Inglaterra, dada a saúde abalada de Burton que permanece na África, tencionando brevemente retornar e encontrar ao amigo. No entanto, ao chegar Speke encontra-se com seu velho amigo Oligarth – um editor que pretende publicar livros com as experiências do nobre. Oligarth, sob a falsa alegação de que Burton havia em seu relatório da primeira expedição, taxado a Speke de covarde e incapaz, faz com que este apresente à Sociedade Geográfica as descobertas em terras africanas sem a presença de Burton. Assumiu assim todas as descobertas e progressos, tomando para si, todas as glórias e méritos. Também há que se afirmar que Speke era um nobre inglês, enquanto Burton era irlandês, o que em muito favoreceu para que o primeiro fosse aclamado.

Tão logo chega a Inglaterra, Burton sabe da apropriação de Speke das descobertas, mas, dada a amizade que os une, apesar de desludido, decide nada fazer. Speke empreende nova viagem à África, sem a presença de Burton.

Burton casa-se com Isabel Arundell e acaba por conhecer o Dr. Livingstone que propõe uma acareação entre Burton e Speke, já que o primeiro não concordava que fosse o Lago Vitória a nascente tão procurada. Ambos concordam com tal proposta e, Speke acaba por encontrar o relatório de Burton da primeira expedição que, na verdade, apregoava-lhe grandes qualidades e colocando-se como responsável pelo ataque sofrido, destacava a bravura de Speke apesar de sua inexperiência – diferentemente da maneira como havia sido apregoado por Oligarth.

Transtornado com a injustiça que cometera, Speke, no exato dia aprazado para o debate, suicida-se com um tiro de sua arma de caça. Burton, incentivado pela esposa, e entristecido com o passamento do amigo acaba por aceitar um cargo burocrático no Brasil.

Foi comprovado posteriormente que Speke estava correto quando posicionou o Lago Vitória como a nascente do Rio Nilo.

Referências – Imagens

Figura 1. Disponível em: < http://www.cineconhecimento.com/wp-content/uploads/2011/10/montanhas01.jpg>. Acesso em: 21.Out.2012.

Figura 2. Disponível em: < http://images.quebarato.com.br/T440x/as+montanhas+da+lua+mountains+of+the+moon+1990+sao+paulo+sp+brasil__5676B1_1.jpg>. Acesso em: 21.Out.2012.

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